O tema desse post pode parecer um pouco macabro, mas me parece já ser um problema da sociedade atual.
Para muitas pessoas o mundo “real” é apenas o lugar onde se tiram fotos e se fazem check-ins para publicar no Facebook (ou similares) mas é fato incontestável que pessoas morrem, e o que se deve fazer com o perfil delas nas “internets”? Manter o seu perfil in memorian? Apagar o perfil? Como comprovar que morreu?
Eu nunca havia pensado nisso até que um dia uma pessoa que até então eu não conhecia chegou pra mim, sabendo que eu trabalho numa rede social e me perguntou: “Minha cunhada morreu, mas o perfil dela no Facebook continua aberto e tem gente que nem sabe do acontecido mandando mensagens e etc… O que eu posso fazer para fechá-lo?” Nesse momento momento eu comecei a pensar e vi que onde trabalho não há uma política clara para esses casos, mas seria tratado com atenção por pessoas, e não máquinas, da equipe de suporte a usuário (que inclusive é um trabalho bem interessante, passam o dia todo vendo e apagando a pornografia que é denunciada
). Imagino que no Facebook seja algo parecido, a diferença deve ser só que o suporte a usuário é feito em out-sourcing na Índia com centenas de empregados! E foi isso que sugeri que fizesse, buscasse o e-mail de contato com a equipe de suporte.
Então fiquei pensando nisso e em qual seria a maneira mais adequada de tratar esses casos e a solução que me veio na cabeça e que pareceu mais simples e eficiente foi permitir que a própria pessoa decida, como um testamento.
Para parecer menos sinistro, na configuração de conta ter uma seção onde se configura o que fazer quando a conta passe muito tempo “inativa”, e o próprio usuário possa definir quanto seria esse tempo e o que deve ser feito, por exemplo:
Vou nas configurações da minha conta e defino que se minha conta passa mais de 30 dias inativo, me mande um e-mail (como um ping), se eu não faço login nem respondo o e-mail em mais X dias, marque meu perfil como inativo e não permita que me enviem mais nada, ou caso prefira, que apaguem meu perfil e todo o conteúdo que já publiquei ou senão que mande uma senha alternativa da minha conta para o e-mail de outra pessoa (minha esposa, por exemplo) e permita que ela acesse a conta e faça o que quiser (eutanásia!?).
Isso poderia servir tanto para caso de morte ou algo mais temporário que poderia ser reativado depois, como se por exemplo resolvo passar um ano isolado morando com uma tribo de Pigmeus em Botsuana.
E vocês? O que acham que seria uma boa opção?
UPDATE: Sugestão de @daniel_leite: permitir que o usuário deixe uma mensagem/vídeo post mortem: “Se você está vendo esse vídeo, é porque eu devo estar morto…” :D
Acho que a solução de testamento seria bem interessante que poderia remover a conta, invativar ou delegar para outra pessoa ser o dono da conta, e também no caso o serviço “Are you alive?” só seria habilitado depois que o login fosse inutilizado por X dias.
Felipe, esse é realmente um problema. Só no último mês vi dois casos parecidos de pessoas falecidas na redes sociais. Um com um ex-colega da universidade que ainda está entre meus contatos. Outro com a mãe de um amigo meu, que o facebook fica me sugerindo como contato.
Há um tempo li que havia empresas se preocupando com esses casos, mas procurei aqui e não achei as referências…
Sobre a idéia de o usuário configurar no próprio pefil o que deve ser feito parece algo muito útil. Entrentanto, acho que não é aconselhável porque faz ele lembrar de uma coisa ruim no momento em que está usando o serviço e isso pode causar uma má experiência de uso. Vai de encontro à idéia de sempre proporcionar uma experiência mais positiva possível pra o usuário.
Pra exemplificar o caso de associação de experiências ruins com marcas e produtos, tem uma propaganda do Itaú que foi muito criticada por muito menos. Veja: http://www.mundodomarketing.com.br/6,12300,itau-usa-propaganda-de-mau-gosto.htm
Falar em ‘inatividade’ ao invés de ‘morte’, como você sugeriu, pode ser uma boa. Mas ainda é preciso tomar cuidado com o impacto na experiência do usuário, como toda feature.
Diante da dimensão do problema, cuidar dele como uma exceção à regra não parece uma má opção.
Estou completamente de acordo, Anderson! Não consigo ver uma solução que possa parecer positiva
hahahhaha rapaz, hoje em dia eu me preocupo mais é com os links que já morreram. Tá ligado que a internet tá se tornando um mar de links que não funcionam mais?
Mas enfim, falando no assunto do post: não vou contribuir com solução, mas tenho um “produto” post-mortem muito interessante, idéia de um milhão de dólares, já apresentei inclusive pra dono de cemitério e ele adorou, pena que é complicado tirar dinheiro de morto kkkk
Mas o que me fez ler o texto foi o seguinte: cara, um aluno meu das antigas, moleque, morreu e bixo… o povo da família dele fica botando mensagem pra ele no orkut, como se tivesse conversando com ele… tipo “ah, hoje fizemos tal coisa e sei que você estava aqui, etc”, cara, MUITO triste…
Eu também tenho alguns scripts preparados para enviar mensagens após minha morte. É o neo-espiritismo.
Felipe, uma coisa menos macabra que eu acho que será um problema ou talvez já seja, é a maldição da indexação. O que acontecerá daqui a 10 anos quando todas as merdas que essa galera faz e fica indexada vir a tona quando eles forem profissionais de respeito e pais de família ? Deveria ter um botão de reset pessoal para apagar nossas vergonhas
Tem uma TED talk sobre isso (bem curta, 5min), que mostra serviços como o http://ifidie.net/. Já tem gente pensando sobre nisso, e realmente tem muito espaço pra novas ideias…
http://www.ted.com/talks/adam_ostrow_after_your_final_status_update.html